no bule vermelho, o vapor começa a desenhar círculos dentro de círculos numa atmosfera meio simbolista, espirais que envolvem o café arábico e convidam o aroma pra dançar. é só uma manhã de terça-feira, muitos diriam. mas eu amo essas pequeninas magias da simplicidade que me roçam os sentidos e aguçam a vontade de viver. 

todo e qualquer gesto é um milagre. colocar o café cuidadosamente na caneca de "o gato malhado e a andorinha sinhá" e ajeitar a fatia de queijo sobre a torrada numa cerâmica marajoara acendem o dia. é meu autocuidado, meu dengo, meu alento.

as tarefas que me esperam para logo mais não são assim tão fáceis, eu quero, no entanto, me permitir à delícia de olhar para o céu e para os edifícios sinuosos durante o meu caminho; de ouvir o sotaque molhado dessa gente linda: veleiro ao vento, penínsulas, maresia.

aqui, na Bahia, todo corpo dança, toda palavra é música. uma ode à estesia!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Moïse Kabamgabe